quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Eu tinha que escovar os dentes. Eu tinha que estudar java. Eu tinha que comer menos chocolate.

Mas ao invés de fazer qualquer desses eu abri o http://www.brainpickings.org/ e fiquei lendo. E li uma matéria, o discurso de uma escritora na realidade e ah, ai de mim, engoli seco. Foi instantâneo, ela falava dela, bem, podia ser de mim.

Eu não acho que consiga ser tão leve e simplesmente me desprender do chão. As pessoas que eu mais amo, elas são lindas e me ensinaram a pensar sempre racionalmente. E essa racionalidade é mágica, acalma e abre um mundo de oportunidades, mas ao mesmo tempo ela pesa e não deixa a gente simplesmente flutuar ao léu. Às vezes flutuar por aí de bobeira também pode ser ruim (principalmente se a gente tiver um destino em mente), mas eis meu exemplo aqui, nessa "tarde" de domingo.

Eu sei agora o que eu não quero, só não sei ainda como articular as coisas que quero à meu favor. Acabei de tirar o silêncio e coloquei "Nothing that has happened so far happened in any way we could control" e juro, me ajudou a respirar melhor. É que comecei o texto (com calma) mas um nó danado na garganta.

Livros, ansiedades, leituras, escritas.

Comoções invernais

Bem, estou exatamente na metade do intercâmbio. Há nove meses na Alemanha, a nove meses da pátria amada. Convenhamos que é inevitável que escreva sobre comparações culturais. E eis aqui a primeira: O natal está para os alemães assim como as festas juninas estão pra gente. hihi

No final de novembro dava pra sacar que algo estava acontecendo, uma preparação começando. Os papos de natal aqui e ali, uma decoração aqui e ali, e boom! Bastou chegar dia 1 de dezembro pra entender o quanto o natal é levado à sério aqui. Não Jesus e essas coisas que insistem em nos dizer que é o espírito do natal, mas algo mais tenro no interior de cada um. Natal aqui não é só um dia de festa, um feriado feliz, o que precede toda aquela exuberância de festas de fim de ano. Não, natal é coisa séria. É o que mantém todo mundo aquecido e o que motiva os alemães a sair de casa nesse maldito frio.

Se tá nevando e você tem que colocar 5 camadas de roupa, no fundo tudo bem, porque você vai ser recompensado com um delicioso vinho quente com ervas especialmente natalino! (Aqui tô falando do Glühwein, um tipo de "quentão" que todo mundo ama, eu, particularmente, não achei muito bom não. Mas para pessoas como eu a recompensa pode ser um chocolate quente com amaretto, oh yeah). E se os dias acabam às 16:30 da tarde, não fique deprimido! Com a noite também vem todas as luzinhas natalinas pra te alegrar.

Tem "Feirinha de natal" pra comprar várias comidas e bebidas especialmente natalinas (desde que fui na última não consigo esquecer as malditas amêndoas caramelizadas que não comprei). Tem musiquinha de natal pra agradar, tem bilhões de chás e biscoitos especialmente natalinos. Tem até inúmeras versões de "Adventskalender" pra aproveitar um poquinho essa espera de cada dia! Adventskalender são calendários em que em cada dia você abre um papelzinho (ou olha num bolsinho, depende do seu) e tem um mimo pra alegrar seu dia! Eu comprei um pra entrar no clima também (fui super contagiada caso ainda não tenha dado pra notar), se souber como, coloco até fotinha. Ah! Todo mundo também se junta pra fazer biscoitinhos de natal (pra mim a tradição mais fofa) e mais e mais.

E sempre que alguém me pergunta "Não é assim no Brasil?" Eu respondo que a gente gosta e tal, mas que, não, não é tão grande quanto aqui. E, acreditem, todos surpresos com essa resposta, me deixou surpresa que eles ficassem tão surpresos. Ontem conversando com uma amiga num keller, por sinal em um evento natalino (Feuerzangebowle), ela me fez entender que sim, essa época é especial pra os alemães. E sim, isso tudo é pra tentar se alegrar nesse inverno maldito. Todo mundo fica super animado e pensando e ansiando pelo natal e esquece um pouco do frio. E aí quando o ano novo chega os dias já começam a ficar mais longos de novo e vão surgindo outros motivos pra se continuar querer vivendo, hehe.

Mas tá, a questão é que eu fiquei pensando que realmente, a gente não tem essa comoção toda no natal, porque, diabos, tá super quente! Milhões de coisas acontecendo (férias, meu povo!) ninguém vai ficar pensando unicamente no natal com esse calor aí né. Poréééém, no nosso "inverno" a gente faz algo parecido, mas assim, bem parecido. Só que se chama São João. Mas olha só, a gente se junta e fica feliz porque é são joão! Coloca um monte de decoração caipira por aí (até se veste diferente pras festinhas!), faz quentão e, bem, eu pelo menos, fico toda feliz com toooda a comida junina em abundância! Pamonha, milho, canjica, munguzá, bolos e bolos...Isso tudo é bom o ano inteiro (principalmente pra mim crescida em Caruaru hehe), mas nessa época do ano rola inevitavelmente um consumo mais exagerado :9

E fazendo essa comparação dá pra ir looonge. Eles tem as feirinhas de natal, a gente tem as festinhas juninas, ambas com váááárias barraquinhas nas quais comida parece ser mais importante que qualquer outra coisa. Eles tem Glühwein, a gente tem quentão. Eles tem Lebekuchen, a gente tem bolo de milho e de macaxeira! Eles tem "We wish you a merry christmas!" , a gente tem "Asa Branca" e se eles trocam presentes entre si, é, presente a gente não troca, mas soltamos uns fogos por aí pra animar :)

O que eu gostei dessa comparação foi perceber que se tá frio (frio nível Brasil ou Alemanha), a gente arranja umas desculpas boas pra se juntar, comer bem e ser feliz :)

Que texto feliz, rapá, certeza que é esse clima de natal me deixando assim.

sábado, 29 de novembro de 2014

Neue Mütze und neuer Mut

Eine neue Mütze und auch ein neu Mut

Ich weiss es dass, viel schwieriger ist wenn ich auf Deutsch schreiben will. Aber wir haben heute ein Geheimnisgrund, besser zu sagen, etwas wie diese. Es ist nicht mehr als ein Monate und ich fühle mich schon ein bisschen müde. Aber nicht nur müde, weiserer, oder als ich früher gedacht habe "free-spiritided".

Das ist ein ganz neues Gefühl, wenn man weisst es gibt so viele neuen Schwierigkeiten und noch es ist okay, die ist ein Herzentscheidung. Ja, mein deutsch ist echt schlecht, Ich kann nicht wie früher gut mich erzählen. Ich gebe meinen Texte auf bevor sie sind wirklichkeit. Schade.

Okay, vielleicht soll ich über etwas leichter schreiben. Wie wie mein langweiliger tag war. Das mache ich jetzt. Ich habe nicht früh aufgewachtet, was ist immer etwas die ich nicht so gute finde. Aber okay, einmal aufwacht, joghurt gegessen (Erdebeeren Quark) und dann gehe ich in der suchtes meiner Mütze. Im Zentrum, alles gut, Mütze und obs schon gekauft, springe ich in mein Fahrrad, alles wird besser. Es ist unglaublich kalt, aber ich bin bereit, Handschuhe (oh die Handschuhe...), Mütze, Strumpfhose unter normale Hose... Dann bin ich in die Feinester Abenteur: Fahrrad fahren durch irgendwann. Ich bin in so viele unterschiedlichen Landshaften heute gefahren...Entlang der Fluss (der vielleicht nicht ein echter Fluss ist), entlang die Schiene...Ich fand es schön. Lieblich alt und schmutzig...Ganz anderes von meine Alltagen Orten...(Ich weiss die Geschlechte und die Pluralen rs, sind warscheinlich an meisten falsch, aber wenn ich hier stoppe um Grammatik zu lesen...Mache ich nichts mehr). So! Durch die Stadt, Fahrrad fahren, dann bin ich ins Supermarkt gegangen, einzukaufen. Ich Habe Lebekuchen (oh, mann! Wie ich heute Lebekuchen gegessen habe!), Duschseife, Zahnpaste und Müsli gekauft. Die "Schererei" war dass, ich, eine von Meine Handschuhe verloren habe :P Bleh, etwas dummes, aber so ist das leben. Aber das war scheisse. Auf jeden Fall...Wird besser mit Zeit rs.

Dann bin ich züruck nach Hause, habe ein gutes Sandwich mit Tee gegessen. Und dann viel anders...Oh man, ich glaube ich bin schon wieder mit Hunger (ist das möglich??)

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Das Universum

" Darauf gibt sie keine Antwort, sie druckt nur fest uns zärtlich meine Hand -und wir scheinen schwerelos durch den Weltraum zu schweben, scheinen uns an intergalaktischer Milch satt getrunken und das ganze Universum für uns zu haben."

tradução de minha parte:

"Então ela não dá qualquer resposta apenas aperta minha mão com vontade e ternura - e nós parecemos flutuar pelo espaço, sem peso, parecemos estar bêbados de leite intergaláctico e temos todo o Universo pra nós."

<3

Livrinho da capa amarela

Que aflição louca! Cheguei em casa, joguei a mochila no chão, liguei o pc e agora me encontro um pouco mais satisfeita escutando o tec tec do teclado do computador :)

É que, meus senhores, hoje fui até o meu máximo e agora preciso escrever. Necessidade de escrever! Há alguns dias atrás era vontade, hoje já tinha uma coceirinha em alguma parte do cérebro "Escreve, mulher!". Mas se enganam vocês se acham que tenho algo muito importante a comunicar, quero falar das bobeiras mesmos, de como tenho comido brócolis como nunca antes (ele aparece em todos os cantos!) ou de como ontem fui ao supermercado comprar atum e voltei com um livro de 600 páginas rs

Ou sobre como o livro que estou lendo anda interagindo com minha vida pessoal de maneiras incríveis <3
Um dia desses fui numa lojinha de 1,99 e ali, no meio daquela confusão de livros de romance-eróticos, sudokus e revistinhas de colorir achei um livro de Joisteen Gaarder. A capa bonita, amarela, linda. Custava 4 euros, não tinha como não levar. Ainda não li um livro de Joisteen Gaarder que não tenha gostado, inclusive meus favoritos já foram lidos e relidos e serão rerelidos de novo. Gosto tanto, mais tanto, desse norueguês que ele me fez imaginar desde criança a Noruega como esse ambiente mágico, onde as flores são pequenas e coloridas e as pessoas filosofam desde crianças. Meu fascínio com a Noruega é tanto que um dia desses minha irmã mandou uma foto de um postal que eu mesma tinha desenhado pra ela na sexta série endereçado à uma rua norueguesa <3 Sei que não vai demorar muito até que postais reais desse lugar cheguem até meus amados :)

Mas tá, o livro. O livro se chama "Das Orangenmädchen" ou no bom português, "A menina das laranjas". E eu aqui, lendo-o (às vezes batalhando um pouco contra o alemão) me surpreendi de tantos jeitos diferentes! <3 A medida que o leio surgem cada vez mais laços com a vida real. Às vezes de maneiras ridiculamente óbvias, como por exemplo na descrição da menina das laranjas como sendo alguém "Que aparenta uns 19 anos, tem cabelo curto escuro, covinhas, ri para estranhos no ônibus e teria uma barraca amarela" e às vezes sendo sutilmente ~ encaixante~ rsrs. Há uns dias atrás comecei a me fascinar de novo pelo Universo. Pelo cosmos pra ser mais exata. Fiquei viajando com as ideias de tempo-espaço, buracos negros, humanidade, ciência, nosso endereço estelar...tudo!! E eis que ontem, o narrador põe-se a devagar sobre os mesmos assuntos!

E uau! De vez em quando surgem frases que envolvem meus olhos numa espécie de brilho-bêbado... E aqui e ali descubro palavras alemãs que se unem e formam um significado único, individual e cheio de perpectivas. Sim, aqui volto de novo pro meu papo de etimologia e etc e etc...Mas olha só isso, fiquei encantada esses dias com "Leichtsinn", no dicionário tem apenas "leviandade" mas é inevitavelmente bem mais que isso. Leicht significa leve, fácil (Ai, cadê Kundera pra discutir sobre o peso e a leveza das coisas?) e Sinn significa espírito, mente, sentido, tudo isso ao mesmo tempo! E juntando tudo "Leichtsinn" é essa leveza da vida, da mente, do estado de ser <3 Não sei se vocês definiriam isso como "Leviandade" mas eu enxergo muito mais que isso.

Ou então "Schicksalsschwer". "Schicksal": sina, destino, caminho de vida, "Schwer": pesado, difícil. No contexto do livro, ele reencontra a mulher amada e de repente o ar torna-se "Schicksalsschwer" ("Aber die Luft ist Schickssalschwer"). Porque algo dentro dos dois sabia que o encontro "pesou" em seus destinos... Parece brega quando escrevo, mas de novo, eu consigo enxergar mais que um significado nessa junção de palavras, me perco, e viajo dentro de mim mesma :3

E as conexões com o livro só aumentam mais e mais, coisas que paro, risco, acho legais e que são citadas de novo e de novo como quem diz "Emily, já que você gostou vamos falar mais sobre isso."
Ou por exemplo, o livro possui dois narradores: o pai e o filho. O pai escreveu uma carta pro filho que agora a lê e regularmente faz comentários. Lendo um pedaço da carta me deparei com uma dessas frases de "brilho-bêbado" tão foda que tive que lê-la umas 3 vezes e ainda soltar um "uau" no fim. Algumas páginas depois, de todas as frases, o filho comenta sobre a mesma. Pode ser que até seja óbvio e que todos pensem assim...mas será?

Oh, sou apaixonada por esse homem! E foi assim, lendo um dia desses, que meu cérebro deu um clique e eu pensei "se o livro encaixa na minha vida porque não encaixar minha vida no livro?". E como um amigo que dá uma dica, achei algo entre a história (dessa menina das laranjas) que eu mesma quero colocar na minha história. E pareceu óbvio e quem sabe até "Schicksalsleicht". E se tudo der certo explico depois aqui e acabo com esse mistério :B





terça-feira, 28 de outubro de 2014

Vernal

1. Relativo a primavera.
2. Diz-se dos vegetais que desabrocham na primavera.

domingo, 12 de outubro de 2014

Crie Blog!

Crie Blog!

Que botão laranja empolgado! Crie seu blog agoooora e comece a escrever jááá! Começo sim, botão, valeu a ajuda.

Meu lado público me faz querer ser racional, clara e distinta, com bastante coesão e corêrencia pra os amigos entenderem. Meu lado eu sabe que coêrencia não é comigo, pra quê tentar, deixa ser e sei lá mais o quê.

Segundos atrás mergulhei num filtro. Um filtro meio bege, que deixa as coisas com cara de um filme de 40 anos atrás.

Sempre tenho essa lombra das décadas e de ficar me imaginando em todas as outras décadas. E tentar presenciar vários momentos em muitas outras datas. E imaginar a vibe, sentir o cheiro, promover uma sensação.

Momentos atrás eu tava sozinha, deitada na cama, tentando dormir, com a cabeça interditada de abobrinhas, mas dessa vez foi tanta, mas tanta que eu não me aguentei. Não consegui me desprender, desisti de contê-las por fim. Me levantei da cama e fiz o que tinha que fazer.

Haviam várias hipóteses e opções e eu optei por essa aqui, embora agora ainda não consiga julgar se foi uma boa escolha ou não. Afinal de contas esse blog pode vir a ser ótimo, ajudar a resolver anseios :)

De qualquer forma acho que agora vou mantê-lo porque esse nome foi tão bom <3 Vanille fernweh <3 Ei, tem algum estranho lendo isso aqui? (Se pá pelo menos a Rafa porque vou mandar o link pra ela hehe) Se você não sabe , fernweh é uma palavra alemã pra "sentir saudades de um lugar que você nunca esteve." Mas na verdade também é mais que isso, fern significa distância e weh é como uma dor. É engraçado pensar como cada um enxerga uma palavra. Tem um ditado de alguém "Algumas palavras alemãs são tão grandes que possuem perspectivas" mas agora, pensando aqui: sim! De fato!

Se pá esse cara não tava zuando, era um ditado sério "Sim, caro amigo, elas possuem diferentes perspectivas." Ele podia estar falando isso numa discussão e depois, pá! Virou ditado! E hoje, nessa data tão especial, eu entendi!

A maioria das palavras absurdamentes grande em alemão são normalmente junção de palavras menores. Pra quê falar duas palavras se você pode juntar tudo em uma? Essa é a lógica local. Tipo, pra quê falar "vela de baunilha (kerze von Vanille)" se você pode juntar tudo e fazer uma "baunilhavela (Vanillekerze)"? Ou pra quê se estressar e falar "livro da capa amarela (Buch mit gelben bucheinband)" quando você pode dizer capaamerelalivro (geld
besbucheinbandbuch)? hehe, engraçado pensar nessas coisas.  Ai meu deus, nem sei os artigos, nem sei mais as palavras! Preciso estudar alemão :(

Mas tá. Aí que tá a coisa, a sua interpretação das palavras menores depende unicamente do jeito como você vê o mundo. E quando se junta tudo numa nova palavra só cada um enxerga diferente. Então algumas palavras como "Fernweh" sempre serão encaradas de maneiras diferentes. Por exemplo, será que a minha e a sua noção de "distância (Fern)" são as mesmas, leitor(a)? E quando junta com "dor"(weh)? Não, provavelmente nossas visões não são as mesmas, e as imagens mentais que associamos a cada palavra não são as mesmas e assim Fernweh é diferente pra mim do que é pra você. Mas o mais legal é que nós dois podemos dizer que a sentimos. É como saudades, o  seu significado de saudade não precisa ser igual ao do seu amiguinho, mas vocês dois podem senti-las verdadeiramente ao mesmo tempo.

Antes ali, deitadinha na minha cama, como já disse tinha milhares de abobrinhas na cabeça. Mas mais que isso também tinha milhares de abobrinhas de sensações e sentimentos. Loucura. Saudade era uma das abobrinhas. E me expor assim, num texto público também.

Acho que esse é um texto de inauguração muito estranho pra um blog. Mas assim ele foi escrito e assim ele será. E quem sabe, quem sabe, essa baunilha na alma Vanille Fernweh não se torne memorável?