quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Livrinho da capa amarela

Que aflição louca! Cheguei em casa, joguei a mochila no chão, liguei o pc e agora me encontro um pouco mais satisfeita escutando o tec tec do teclado do computador :)

É que, meus senhores, hoje fui até o meu máximo e agora preciso escrever. Necessidade de escrever! Há alguns dias atrás era vontade, hoje já tinha uma coceirinha em alguma parte do cérebro "Escreve, mulher!". Mas se enganam vocês se acham que tenho algo muito importante a comunicar, quero falar das bobeiras mesmos, de como tenho comido brócolis como nunca antes (ele aparece em todos os cantos!) ou de como ontem fui ao supermercado comprar atum e voltei com um livro de 600 páginas rs

Ou sobre como o livro que estou lendo anda interagindo com minha vida pessoal de maneiras incríveis <3
Um dia desses fui numa lojinha de 1,99 e ali, no meio daquela confusão de livros de romance-eróticos, sudokus e revistinhas de colorir achei um livro de Joisteen Gaarder. A capa bonita, amarela, linda. Custava 4 euros, não tinha como não levar. Ainda não li um livro de Joisteen Gaarder que não tenha gostado, inclusive meus favoritos já foram lidos e relidos e serão rerelidos de novo. Gosto tanto, mais tanto, desse norueguês que ele me fez imaginar desde criança a Noruega como esse ambiente mágico, onde as flores são pequenas e coloridas e as pessoas filosofam desde crianças. Meu fascínio com a Noruega é tanto que um dia desses minha irmã mandou uma foto de um postal que eu mesma tinha desenhado pra ela na sexta série endereçado à uma rua norueguesa <3 Sei que não vai demorar muito até que postais reais desse lugar cheguem até meus amados :)

Mas tá, o livro. O livro se chama "Das Orangenmädchen" ou no bom português, "A menina das laranjas". E eu aqui, lendo-o (às vezes batalhando um pouco contra o alemão) me surpreendi de tantos jeitos diferentes! <3 A medida que o leio surgem cada vez mais laços com a vida real. Às vezes de maneiras ridiculamente óbvias, como por exemplo na descrição da menina das laranjas como sendo alguém "Que aparenta uns 19 anos, tem cabelo curto escuro, covinhas, ri para estranhos no ônibus e teria uma barraca amarela" e às vezes sendo sutilmente ~ encaixante~ rsrs. Há uns dias atrás comecei a me fascinar de novo pelo Universo. Pelo cosmos pra ser mais exata. Fiquei viajando com as ideias de tempo-espaço, buracos negros, humanidade, ciência, nosso endereço estelar...tudo!! E eis que ontem, o narrador põe-se a devagar sobre os mesmos assuntos!

E uau! De vez em quando surgem frases que envolvem meus olhos numa espécie de brilho-bêbado... E aqui e ali descubro palavras alemãs que se unem e formam um significado único, individual e cheio de perpectivas. Sim, aqui volto de novo pro meu papo de etimologia e etc e etc...Mas olha só isso, fiquei encantada esses dias com "Leichtsinn", no dicionário tem apenas "leviandade" mas é inevitavelmente bem mais que isso. Leicht significa leve, fácil (Ai, cadê Kundera pra discutir sobre o peso e a leveza das coisas?) e Sinn significa espírito, mente, sentido, tudo isso ao mesmo tempo! E juntando tudo "Leichtsinn" é essa leveza da vida, da mente, do estado de ser <3 Não sei se vocês definiriam isso como "Leviandade" mas eu enxergo muito mais que isso.

Ou então "Schicksalsschwer". "Schicksal": sina, destino, caminho de vida, "Schwer": pesado, difícil. No contexto do livro, ele reencontra a mulher amada e de repente o ar torna-se "Schicksalsschwer" ("Aber die Luft ist Schickssalschwer"). Porque algo dentro dos dois sabia que o encontro "pesou" em seus destinos... Parece brega quando escrevo, mas de novo, eu consigo enxergar mais que um significado nessa junção de palavras, me perco, e viajo dentro de mim mesma :3

E as conexões com o livro só aumentam mais e mais, coisas que paro, risco, acho legais e que são citadas de novo e de novo como quem diz "Emily, já que você gostou vamos falar mais sobre isso."
Ou por exemplo, o livro possui dois narradores: o pai e o filho. O pai escreveu uma carta pro filho que agora a lê e regularmente faz comentários. Lendo um pedaço da carta me deparei com uma dessas frases de "brilho-bêbado" tão foda que tive que lê-la umas 3 vezes e ainda soltar um "uau" no fim. Algumas páginas depois, de todas as frases, o filho comenta sobre a mesma. Pode ser que até seja óbvio e que todos pensem assim...mas será?

Oh, sou apaixonada por esse homem! E foi assim, lendo um dia desses, que meu cérebro deu um clique e eu pensei "se o livro encaixa na minha vida porque não encaixar minha vida no livro?". E como um amigo que dá uma dica, achei algo entre a história (dessa menina das laranjas) que eu mesma quero colocar na minha história. E pareceu óbvio e quem sabe até "Schicksalsleicht". E se tudo der certo explico depois aqui e acabo com esse mistério :B





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